“Academia não faz profissional”
Entrevista: Frank Ejara, coreógrafo e dançarino
Frank Ejara, paulista de 36 anos, é coreógrafo e fundador da companhia paulista de dança de rua Discípulos do Ritmo. Além da abertura, ele estará nesta edição do festival para participar como jurado do Encontro das Ruas, que será nos dias 18 e 19 de julho, na Escola Estadual Germano Timm. Nesta entrevista ele conta quais são suas influências.
Diário Catarinense – O que influencia o teu trabalho como coreógrafo? Quem são as pessoas (ídolos, etc), lá na sua infância, que até hoje são fortes para você?
Frank Ejara – No Geo trabalhei como coreógrafo e na direção de cena junto ao Storm. Mas eu, como coreógrafo, posso dizer que tudo pode me influenciar. Cinema, música, meu cotidiano, enfim, tudo que me rodeia. Meus ídolos na dança são, primeiramente minha mãe, depois Popin Pete, Popin Taco, Ken Swift e Greg Campbellock Jr. Esses dançarinos têm forte influência no meu trabalho de dançarino e coreógrafo. Minha mãe (Gesunilda, conhecida por Gê) nunca
foi profissional, mas foi ela quem
me ensinou os primeiros passos no final dos anos 1970, na era disco funk. Chegamos a ganhar competições de dança na época.
DC – O que você tem explorado de novidade na dança de rua recentemente?
Ejara – Acho que pouca coisa foi feita nas danças urbanas no âmbito profissional. Na área de criação de espetáculos. Então, estou nessa busca. Criando novas formas de contar boas histórias e trazer novos olhares para nosso estilo de dança. As possibilidades são infinitas, ainda mais se pensarmos que pouco foi feito.
DC – No Brasil, o hip hop ainda está longe da profissionalização?
Ejara – Sim. Não há referências. Tudo no street dance gira em torno de competições. E a nova geração, quando pensa em viver da dança, só vê uma saída… Dar aulas… E esse é o maior problema da nossa área. Temos pessoas muito jovens, despreparadas e sem experiência na sala de aula apenas pelo fato de querer
viver da dança. Desconhecem o trabalho cênico, não conhecem outra forma
de ganhar dinheiro com a dança.
DC – Qual o problema de as academias de dança serem hoje a principal formação do dançarino de hip hop no Brasil?
Ejara – As academias não criam profissionais de street dance. Não chega a profissionalizar ninguém, pois o resultado e busca final das academias são os prêmios em competições. Não preparam um street dancer pro mercado dos teatros. Não ensinam como montar um projeto, buscar recursos, como criar um espetáculo, como usar o vocabulário de nossa dança em torno de um conceito, não apenas em torno da performance na maioria das vezes datadas em tempo de criação para competição.
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27 Festival de Dança de Joinville
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