DJ Dubstrong
Dubstrong é conhecido pelo repertório eclético e de muito bom gosto, além de uma técnica de mixagem excepcional. Quebrando as fronteiras de São Paulo, o DJ começou a ser reconhecido no mundo da música a partir do ano de 2002, quando foi indicado ao prêmio de melhor DJ de Black Music e Beats do prêmio Noite Ilustrada da Folha de São Paulo. Mais afeito ao hip-hop, sempre mantendo uma levada de dancehall jamaicano e dub, o DJ toca de tudo e é residente do Chocolate, um dos maiores projetos de hip-hop do Brasil, com residência no Clash Club em São Paulo e na Confraria das Artes em Florianópolis.
Dubstrong concedeu essa entrevista ao programa All Massive, que vai ao ar pela rádio da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e é comandado por Félix e Gabriel SYA, que também fazem parte do DNB Online. Em poucos minutos de conversa o DJ falou sobre como faz as escolhas do seu repertório e sobre os projetos que faz parte: Chocolate e Echo Sound System.
O núcleo Chocolate tem pretensão de expandir suas atividades e talvez atuar como agência ou um label?
Na verdade o núcleo tinha algo parecido com uma agência há uns dois anos, envolvia DJs, MCs e grafiteiros. Só que a demanda de trabalho não era o suficiente para todos, então para eliminarmos as despesas de escritório cada um está fazendo seu próprio corre agora. Atualmente, a Chocolate faz só festas mesmo, que rolam em São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro.
Então aonde vai a festa, vão os representantes do núcleo?
Isso, a Chocolate é meio que um conceito. Surgiu da necessidade de tocar música boa, com a cultura hip-hop de verdade. Não estava rolando nada em São Paulo e é um estilo que tem muito público, então em 2002 a gente começou a fazer essas festas e assim estamos até hoje.
Reparei que no seu set rola muita performance, cortes precisos e mixagens de um estilo com outro. Qual seu setup pra tocar?
A vida inteira eu toquei com vinil, mas de uns dois anos pra cá eu passei usar o Serato e vou te falar: abriu um novo mundo pra mim. Além de você poder levar dez mil músicas pra festa, coisa que com vinil é impossível, ele tem um monte de efeitos. Dá pra colocar loops em faixas que eu nem imaginava mixar. Você coloca uma intro ou um break e quando vai ver está mixando um rock ou um jazz com breakbeat ou um 4 x 4.
Na época do vinil… tô falando como se fosse muito antigo… [risos] Mas quando eu tocava com vinil era difícil, tinha muito disco que acabava não levando pra festa. Com o Serato você separa tudo em pastas por estilo e pode ir tocando de acordo com a energia da festa. Com o Serato eu estou preparado pra qualquer tipo de pista.
Era isso que eu ia perguntar. Como seu set é sempre muito eclético, você sai de casa com a seleção de faixas mais ou menos na cabeça ou você solta a primeira música e depois vai pensar na segunda?
Dependendo da festa eu já vou com a linha que eu vou seguir pensada, principalmente quando a festa é mais segmentada, mas não adianta eu já ir com a seleção pronta. Às vezes chego na festa e acabo tocando um som completamente diferente e o legal do Serato é que me dá liberdade pra tocar num casamento ou numa rave. [risos]
Ainda sobre o seu repertório: Você toca duas vezes por semana na Chocolate, em São Paulo e Floripa. Como é tocar toda semana no mesmo lugar e para quase o mesmo público?
Tem os hits que o público gosta de ouvir sempre, tem os hits que a gente mesmo constrói. Mas eu procuro sempre levar coisa nova também, criar hits novos. Isso é uma coisa que muito DJ esquece de fazer, fica tocando o arroz com feijão e deixa de fazer a parte de educação do público. Às vezes o cara tem medo de arriscar um som novo com receio de que a pista vá esvaziar. Mas se ele nunca tocar uma música nova a pista nunca vai conhecer. Na Chocolate a gente faz muito isso, tem gente que vem pedir música que não toca em lugar nenhum, a gente que divulgou.
E tem muita diferença entre as músicas que rolam em São Paulo para Florianópolis?
Floripa rola um lance mais comercial, mesmo por que em SP a festa tem vários anos e a galera conhece bem mais o repertório. Mas o comercial que eu toco lá é o comercial que eu acho bom, não esse tipo de som que rola em FM, mas coisas bacanas. Mas a galera pede mais música mesmo, saindo de São Paulo é mais difícil mesmo tocar coisas diferentes. Mas o diferencial da Chocolate é o tipo de som que a gente rola.
Quais são as novidades sobre o Echo Sound System?
Há uns dois meses nós reunimos a galera e fizemos um show no Studio SP. Mas agora está cada um fazendo um corre diferente e para fazer o projeto rolar são várias pessoas que precisam estar unidas na mesma vibe. A gente até tem alguns sons novos ainda sem finalizar e a intenção é que no máximo no ano que vêm a gente solte um disco novo. Devem rolar novas participações também.
E você produz alguma coisa sozinho?
Eu nunca cheguei a lançar nada… Tem um monte de faixas aqui, mas está tudo meio inacabado. Ultimamente eu tenho tocado muito, então eu fico sem tempo de parar pra produzir. Tem várias mixtapes que eu tenho gravado e isso também me consome um tempo.
É isso aí, as perguntas que eu tinha eram essas, quer deixar algum recado?
Queria mandar um salve pra galera de São Carlos, pro pessoal que curte música de qualidade… Quem sabe um dia eu não apareço por aí pra fazer um som!











